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Tendências em 2021 para o mercado de energia

O post de hoje traz uma análise das principais tendências para o mercado de energia neste ano no Brasil. A tecnologia caminha a passos largos e o mercado de energia está sofrendo profundas mudanças causadas por este avanço, como novas fontes, novas cargas, maior conectividade e consequentemente, novas regulamentações que tendem a reger esta nova orquestra.


Sob o nosso ponto de vista, o ano de 2021 será marcado pela retomada do crescimento econômico, barrado pela pandemia vivida em 2020. A qual provou que as empresas que estavam mais evoluídas em termos organizacionais e estruturadas de maneira ágil, se saíram melhor, podendo liberar funcionários para Home Office sem perder eficiência.


Esta estruturação de maneira ágil aliada à inovação são os sinônimos de eficiência em 2021, em que nem todos estarão em seus postos de trabalho novamente e nem toda matéria prima estará disponível. Assim, elencamos 4 tópicos que refletem as principais tendências no setor de energia elétrica para 2021, afinal, é a energia que move o mundo e o mercado neste setor não pode parar.


Vamos lá!


GERAÇÃO DISTRIBUÍDA


Usina Solar UFSM. (Fonte: UFSM).
Usina Solar UFSM. (Fonte: UFSM).

Desde 2012, com a criação da Resolução Normativa 482 da ANEEL, o consumidor que tem uma fonte de energia instalada em casa pode injetar seu excedente na rede, ganhando créditos por isso. Estes créditos são usados para abater seu consumo em outro momento, em uma relação 1 para 1, ou seja, cada kWh injetado na rede, dá o direito a consumir 1 kWh. Já há novas regulamentações sobre esta relação sendo discutidas, como no caso da Consulta Pública CP 025/2019 realizada pela ANEEL.


Em 2020, segundo a ABSOLAR, o Brasil atingiu 7 GW de potência instalada com painéis solares, com mais de 35 bilhões de reais de investimentos realizados e mais de 210 mil empregos acumulados desde 2012. Este crescimento se reflete nos empreendimentos realizados nesta área. Em 2020 foram cerca de 450 novas empresas por mês e em 2021 espera-se mais 5400 novos empreendimentos na área. Comprovando que a geração distribuída será um tema em alta no setor, que atualmente conta com mais de 20 mil empresas na área. A concorrência vai estar acirrada em 2021!


VEÍCULOS ELÉTRICOS


Nissan Leaf em carregamento com Juice Box. (Fonte: CEESP / UFSM).
Nissan Leaf em carregamento com Juice Box. (Fonte: CEESP / UFSM).

Mais um tema que em 2021 vai aquecer o mercado e as discussões a respeito dele. Os veículos elétricos são uma eminência ao redor do mundo, com diversos países, como Noruega, Alemanha, China, Austrália e outros, firmando acordos para evitar novas vendas de veículos a combustão a partir de determinada data. No Brasil, apesar do nosso atraso tecnológico nessa área, já existem planos para que o mesmo aconteça, como no caso do Projeto de Lei (PLS 304/2017) do senador Ciro Nogueira (PP–PI), sobre a proibição da circulação de automóveis movidos a diesel e gasolina no território brasileiro a partir de 2040, que já passou pela CCJ (Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado) em fevereiro de 2020.


Atualmente, o Brasil conta com um frota de um pouco mais de 30 mil unidades, aproximadamente 0,17% do total da frota, diferente de outros países mais avançados no tema, como Noruega que, em 2020, conquistou a marca de ter mais de 50% da frota em circulação sendo elétrica. No cenário brasileiro, apenas entusiastas se aventuram em comprar um veículo elétrico, devido seu valor elevado comparado com veículos de mesma categoria e a infraestrutura de recarga precária, prejudicando deslocamentos mais longos. Atualmente, o país conta com cerca de 520 unidades de carregadores elétricos disponíveis ao público, divididos entre lentos, semi-rápidos e rápidos (PLUGSHARE), muito longe da estimativa feita pela CPFL, que prevê a necessidade de ao menos 80 mil postos de recarga até 2030.


Mesmo com números iniciais, a velocidade até então apresentada tem surpreendido o mercado, desde fornecedores até grandes montadoras que estão mudando seu processo de fabricação para adaptação aos veículos elétricos, lançando novos modelos e procurando abocanhar um pedaço desse mercado trilionário. Sem sombras de dúvidas, em 2021 ainda ouviremos muito a respeito destes veículos, principalmente em projetos financiados pelas concessionárias no Projeto Estratégico de Pesquisa e Desenvolvimento – P&D nº 22 da ANEEL e em discussões políticas a respeito do fim dos veículos a combustão.


MERCADO LIVRE DE ENERGIA



O Mercado Livre de energia representa um ambiente livre de transações para compra e venda de energia. Entretanto, devido a certas regulamentações incidentes, temos algumas restrições, como por exemplo: apenas consumidores com demanda contratada acima de 500kW (pode ser mais de um local sob mesmo CNPJ) podem aderir ao Mercado Livre.


Esta oportunidade é uma relação de ganha-ganha, para geradoras independentes e também para os grandes consumidores que podem aderir ao Mercado Livre. Os valores são negociados em livre concorrência, fazendo com que a competitividade faça seu trabalho e os preços caírem. Além disso, isto representa um incentivo muito grande para fontes alternativas de energia como solar e pequenas centrais hidrelétricas, se tornando excelentes investimentos sob óptica financeira.


Desde o início deste ano o PLD (Preço de Liquidação das Diferenças) vem sendo modificado a cada hora, até então era um valor fixo a semana toda. Desta forma, os contratos de compra e venda passam a ser calculados com maior acurácia devido à insegurança da compra de acordo com a necessidade.


Além de grandes consumidores, há discussões em andamento que tratam de disponibilizar o Mercado Livre para todos os consumidores, como no caso do Projeto de Lei do Senado (PLS) 232/2016, abrindo ainda mais este mercado. Neste caso, todos os consumidores teriam direito de entrar no Mercado Livre, independente da sua demanda e tensão. Ainda é incipiente, mas 2021 pode aquecer esta discussão e quem sabe poderemos escolher a fonte que irá alimentar nossa residência nos próximos anos.


CONECTIVIDADE


Smart Trafo - Fox IoT.
Smart Trafo - Fox IoT.

2020 passou e com ele muitas estimativas, realizadas em anos anteriores, de quantos devices iriam estar “conectados”. A verdade é que a Internet das Coisas é uma revolução tecnológica que caiu no gosto das empresas e invadiu todos os setores, do agro, a indústria até as utilities.


No cenário da energia, a conectividade é uma tendência clara há alguns anos com a abordagem das Smart Grids, percebe-se um movimento de algumas empresas para aumento do número de Smart Meters, grandes números de religadores nos ramais de distribuição e por último mais recente, o monitoramento de transformadores de distribuição, que traz incontáveis benefícios ao setor.


A ANATEL e alguns players interessados do setor têm discutido o uso exclusivo de uma banda do espectro de frequência para utilities, isso ocorreria na definição do espectro para o 5G. Ainda há bastante argumentação para que se chegue em um denominador comum. Enquanto isso, as frequências não licenciadas têm ganhado espaço, como no caso dos 900 MHz, servindo para monitoramentos de transformadores (Smart Trafo), para telemedição, integrações e muito mais.


E assim encerramos mais este artigo da Fox IoT, com a nossa perspectiva sobre as tendências em 2021 para o mercado de energia elétrica. Acreditamos em um setor cada vez mais eficiente, tecnológico e ambientalmente correto! Se achar a solução sobre o Smart Trafo interessante, será um prazer apresentar a solução que temos trabalhado! Abraços e até a próxima.


Publicado por: Filipe Carloto

Eng. Eletricista, CEO e Co-fundador da Fox IoT.

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