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O GRANDE PROBLEMA DE PERDAS NO SETOR ELÉTRICO BRASILEIRO

O atual sistema elétrico é um dos principais setores para o desenvolvimento de uma economia forte, sendo a base para o crescimento da maioria das demais atividades econômicas. O setor vem enfrentando muitos desafios devido ao alto crescimento da população, ao aumento do uso de energia em vários setores e a inserção em massa da geração distribuída. Todos estes desafios estão fazendo com que as concessionárias de energia, responsáveis por nos entregar a energia elétrica, e a ANEEL, agência que regulamenta o setor, trabalhem arduamente em diversas frentes técnicas e regulatórias para que se consiga suprir toda esta demanda.


Não bastassem estes desafios, o setor elétrico de países emergentes possuem similaridades, dentre elas um grande volume de perdas. Isso traz uma enorme dor de cabeça para quem opera e tenta manter a atividade de distribuição de energia lucrativa e, principalmente, segura para a população.


As perdas de energia se referem à energia elétrica gerada que passa pelas linhas de transmissão e redes da distribuição, mas que por algum motivo, não chega a ser comercializada Ou seja, tratando-se de um produto, ela é produzida, passa pela cadeia de distribuição, mas no fim do dia não é vendida, logo, perdida.

Dentro das perdas de energia elétrica, existem 2 grupos, as perdas técnicas e as perdas não técnicas. Diferente das perdas técnicas que são inerentes à atividade de distribuição de energia elétrica, as perdas não técnicas estão relacionadas a furtos de energia, erros de medição, erros no processo de faturamento, unidades consumidoras sem equipamento de medição, dentre outros.


Parte destas perdas entram na nossa tarifa. Assim, todos nós repartimos esse prejuízo. Você acha justo pagar pelo gato/roubo do seu vizinho? É exatamente isso que acontece. A ANEEL é quem regulamenta quanto cada concessionária pode cobrar da sua base de clientes o percentual referente às suas perdas. Em via de regra, esse percentual é sempre menor que o total de perdas, dessa forma, parte desse prejuízo também vai para o bolso da concessionária que se obriga a investir em tecnologias, melhorias e processos para tentar sanar este problema.


Mas e aí, você tem noção da real dimensão deste problema?


As perdas não técnicas causam o prejuízo de aproximadamente 5 bilhões de reais aos brasileiros por ano. Repetindo, 5 bilhões de reais indo pro lixo todo ano. O valor, que é repassado ao consumidor nas faturas, representa cerca de 3% da tarifa de energia elétrica, de acordo com dados da agência reguladora ANEEL. O gráfico a seguir apresenta a relação entre as perdas e o consumo.



Segundo a Aneel, em montantes de energia, as perdas técnicas corresponderam a cerca de 39,2 TWh e as perdas não técnicas 35,9 TWh. A critério de curiosidade vamos exemplificar o quanto isso corresponde a outros sistemas.


Comparativo das perdas não técnicas com outros sistemas



Geração de energia:

Se pegarmos apenas o valor das perdas não técnicas, no mesmo período, e a compararmos com a produção de energia elétrica da Itaipu que foi de 79,4 TWh [1] no ano de 2019, percebemos que as perdas não técnicas correspondem quase metade da produção de energia elétrica da maior hidroelétrica das américas. Metade da usina opera apenas para cobrir o volume de perdas não técnicas no Brasil!



O consumo do estado de São Paulo

Com este montante também seria possível abastecer o estado inteiro por aproximadamente um trimestre, lembrando que é o estado mais industrializado do País [2].



O consumo de energia dos condicionadores de ar

Com uma perda dessas poderia ser equivalente a quase 15 milhões de condicionadores de ar de 12000 BTUs ligados por ano com um consumo de 8h por dia em média [3].




Chuveiro elétrico

Também seria possível quase 112 milhões de banhos de 10 minutos diários durante 1 ano [3].



Iluminação pública

Seria possível cobrir os gastos com iluminação pública do estado de São Paulo por 12 anos [4].



Leitos de hospitais

Com um consumo mensal médio de 1.016 KWh/leito, seria possível manter quase 3 milhões de leitos por ano [5].



Agora, em relação ao valor financeiro, podemos comparar o valor das perdas com outros investimentos realizados no mercado de geração de energia elétrica, como por exemplo:

  • O investimento na geração de energia elétrica por usinas eólicas que estão beirando a casa dos 7 bilhões de reais por ano [6].

  • Também pode-se comparar com o investimento em geração solar que ultrapassou a marca de R$15 bilhões, considerando projetos de geração centralizada e de geração distribuída [7].


Mas com o tamanho deste desafio, como podemos resolvê-lo?


Inúmeras são as ações que podem ser realizadas para combater este problema. Não existe uma solução única e universal. Cada distribuidora de energia, a partir das perdas não técnicas e suas áreas de concessão desenvolvem projetos, ações e programas de combate ao furto de energia.


Tem se falado muito em Smart Grids, ou redes inteligente, que com o uso de equipamentos modernos possibilitam a comunicação e o monitoramento remoto e em tempo real dos ativos da rede, para que se tenha um melhor acompanhamento do que se passa em cada circuito e que os operadores tenham mais ferramentas a seu dispor para combater este gigante problema.



Há, inclusive, questões sociais para debate, pois existem inúmeras áreas socialmente desfavoráveis com um elevado volume de perdas. Seria desumano deixar esta população desamparada. Mas por outro lado, existem inúmeras pessoas que tentam de alguma forma burlar as regras e estas devem ser localizadas e punidas.


A fim de auxiliar as distribuidoras, a Fox IoT atua no desenvolvimento de medidores inteligentes para o monitoramento de transformadores em tempo real utilizando comunicação sem fio, em nosso portfólio. Também possuímos o Sistema de Telemedição, que consiste em um dispositivo capaz de se comunicar com os medidores de energia.


Referências


[1] https://www.itaipu.gov.br/energia/geracao

[2]https://www.saopaulo.sp.gov.br/ultimas-noticias/consumo-de-energia-eletrica-cresce-19-em-sao-paulo-em-2017/

[3] https://enel-rj.simuladordeconsumo.com.br/ambiente/sala

[4] http://dadosenergeticos.energia.sp.gov.br/portalcev2/intranet/BiblioVirtual/eletrica/Cartilha_Ilumincao_Publica.pdf

[5] https://www.procelinfo.com.br

[6] https://veja.abril.com.br/economia/energia-eolica-investimentos-bilionarios-para-o-produtivo-vento-do-brasil/

[7] https://www.portalsolar.com.br/blog-solar/energia-solar/investimentos-em-geracao-solar-fotovoltaica-ultrapassa-r-15-bilhoes-no-pais-segundo-absolar.html


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